RENATO

Nasci em 1975, já exposto a muita música em casa. Toda a família sempre ouviu muita música e meu tio, por ser o único músico da família até então, ouvia discos diversos quando morou conosco por uns tempos. James Taylor, Carly Simon, Beatles, Elton John, Tom Jobim, Chico, Milton, dentre outros, rolaram ali naquele apartamento em Bonsucesso, zona norte carioca.

Com 5 anos comecei a estudar piano porque um vizinho que morava no andar de cima ao nosso (já em outro prédio, mas no mesmo bairro) tocava e cantava muitas músicas ao piano. Do andar de baixo ouvi Supertramp, Ivan Lins, Guilherme Arantes e outros artistas interpretados por ele muitas e muitas vezes. Minha mãe percebendo meu interesse perguntou se gostaria de aprender e respondi que sim. Coincidentemente a irmã do vizinho dava aulas de piano e consigo me recordar exatamente da minha primeira aula, sentado na frente daquele piano de armário. Depois de alguns anos com ela fui estudar com outra professora e conclui teoria musical no Conservatório de Bonsucesso.

Participei de recitais nos finais de cada ano concluído. Aos 12 para 13 anos o estudo clássico me incomodava, afinal, eu queria improvisar e não apenas interpretar o que estava na partitura. Além disso, meu irmão mais velho começou a tocar violão e desistiu após um ano de aulas, depois de também ter desistido do piano e automaticamente comecei a tocar os primeiros acordes no violão que meu pai havia comprado quando jovem e que meu irmão estudava.

Meu pai não se desfez dele por achar que algum dia seria útil e acertou na mosca. Com 12 anos tive minha primeira banda e tocávamos covers do rock nacional e internacional. Paralamas, Plebe Rude e Simple Minds são os que me vêm à mente agora. Saí da banda porque fui impedido de viajar com os caras, que já eram mais velhos do que eu, todos entre 16 e 18 anos, para um show em Teresópolis, região serrana do Rio. Nessa mesma idade vi meu primeiro show ao vivo, estréia da turnê Bora Bora, dos Paralamas. O início do show com "O Beco" nunca mais saiu da minha cabeça. Com 15 anos entrei na CEFET, escola técnica no Maracanã, e matei aula para ficar tocando violão no bloco E com a galera chegada à música.

Nessa época peguei uma coleção de vinis com um tio e fiquei louco com aquela pilha de discos. Conheci Deep Purple, Led Zeppelin, Pink Floyd, Yes, Mutantes, Black Sabbath, Genesis, alguns discos solo do Paul McCartney e outras tantas bandas incríveis que fazem minha cabeça e meus ouvidos até hoje. Vi o Deep Purple no Maracanãzinho nessa época e o impacto foi evidente. Jon Lord virou meu herói! Tive várias bandas na época da CEFET e tocamos em todos os festivais possíveis pelas redondezas.

Conheci uma galera mais velha e entrei na banda para participar da nova formação da Semente do Futuro, banda meio hippie-progressiva seminal da Ilha do Governador.  Todos entre 25 e 30 anos e eu um moleque de 16. Com eles toquei pela primeira vez no Circo Voador e ficamos em segundo lugar num festival. Eu ainda tinha o piano e os teclados como instrumento principal. Depois disso tocamos em vários lugares e a banda se desfez depois de alguns anos de atividade. 

Fiquei um tempo sem banda e continuei procurando e estudando. Veio a internet e eu já fazia o curso de Home Studio do Sérgio Izecksohn quando ele me apresentou à novidade. Em seguida montei meu home studio em casa e comecei a frequentar uma novidade na internet, as salas de bate-papo.

Tempos depois conheci um cara chamado Tico e depois de uns meses do primeiro contato virtual, ele me contatou perguntando se eu gostaria de tocar com eles, os Detonautas estavam começando. Era 1997 o ano e fui ao primeiro ensaio. Levei o teclado e a guitarra, que já havia comprado na época. Achei a banda um tanto crua e verde e os teclados foram vetados sumariamente. Ainda bem. Eu não teria ficado se fosse para tocar teclado, mas como estava começando na guitarra, resolvi ficar na banda para aprender com eles tudo do zero praticamente. Mas já existia uma energia diferente de tudo o que eu tinha feito e participado antes. Tínhamos o rock nacional em comum e o Grunge estava dominando a cena Rock mundial  depois do estouro do Nirvana, alguns anos antes. O resto já é a história do Detonautas...


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